Tudo começou quando…

pequeno grupo de pessoas levantando uma cerca

levantando cercas

… “Zé Cariri” casou com dona Chica Benvinda, irmã do Joaquim “Cabloco” que junto com a esposa Filismina, construíram a primeira casa de taipa aqui na praia, então Zé Carirri logo depois veio morar aqui também, e Joaquim com Filismina tiveram 12 filhos dos quais descendem muitos moradores daqui, como a Dona Josefa que ainda sobrevive aqui. Bernadinho filho do Zé Cariri que casou com Laurentina. Bernadinho foi um grande homem que aprendeu ler sozinho no mar, com o ABC no chapéu, com seu jeito culto e educado foi um dos poucos homens, que sabia ler e escrever, ele e Laurentina tiveram 4 filhos o Nilton, Nilson, Nelson e Toto. Bernadinho era um grande viajante e conhecia muita gente influente, que com certeza a viagem da jangada 7 de setembro para Belém do Pará, que ele fez junto com seu tio Joaquim Cabloco e o Deca em 1928 contribui para a fama dele. Bernadinho, homem bravo, morreu no mar que tanto amava abraçado a seu filho mais novo e o corpo dos dois nunca foram encontrados. E o Deca foi morar no Pontal do Maceió onde morreu em 1999 com cem anos de idade, 71 anos depois da viagem à Belém.

Além do Zé Cariri ainda vieram morar mais dois de seus irmãos Pedro Cariri e Angelco. Como também outras famílias começaram a chegar como os baratas, e Raimundo Cabloco, que por sua vez tinha um filho por nome Raimundo Canto Verde que morava na vizinhança e vinha todo dia pescar e achando esta praia muito bonita por imensas quantidade de verde começou a chamar de praia depois de Prainha e logo em seguida de Prainha do Canto Verde que assim continua até hoje. E como era uma praia onde a sobrevivência era bem melhor a cada dia, mais famílias chegavam: os Quinins, Correias, Firminos, Dantas e outras. A rotina dessas famílias era os homens para o mar, os que pescavam, e os que não pescavam iam as vazantes plantarem e as mulheres cuidavam da casa com seus afazeres domésticos. Como não tinha dinheiro e as coisas eram difíceis as casas eram de palha e de taipa e a maioria das famílias chegavam até 15 filhos, que alguns morriam nos seus primeiros meses de vida, a educação também difícil os pais não sabiam ler e escrever e por não ter escola na comunidade algumas famílias matriculavam os filhos na escola do Jardim, comunidade vizinha com o professor Joaquim Nel.

Então aqueles que conseguiram aprender a ler e a escrever ensinavam os outros. Mas mesmo com pouca inteligência a maioria dos pais ensinava seus filhos a cuidarem da higiene pessoal, não como hoje mas já sabiam que sem banho e outros meios de higiene não podiam sobreviver.

Entre todas as coisas boas da nossa Prainha, a melhor era que nossos antepassados não precisavam lutar pela terra, como tanto hoje lutamos a mais de vinte anos. Antigamente, qualquer pessoa podia construir suas casas e suas vazantes e ninguém iria reclamar, hoje não, antes a terra era de todos, assim como Deus deixou. Pois desde 1976 nossa comunidade enfrenta na justiça uma briga intensa em defesa da nossa comunidade, briga em que já nos causou vários transtornos como em maio de 1995 sem piedade os capangas da Imobiliária Henrique Jorge quebraram o alicerce de duas casas e colocaram fogo na moradia de dois pescadores. E em novembro de 1992 os Capangas armados da mesma Imobiliária no meio da noite quebraram o alicerce da creche que estava sendo construída para as crianças da Caucaia, fato esse que ainda acontece em nossa comunidade como a derrubada de cercas entre outros.

Também um dos fatos que nossa comunidade teve bastante repercussão foi quando a lagoa do Jardim em 1974 estourou e todas as famílias que moravam na Praia Velha assim chamada tiveram que passar a morar no outro lado, pois as casas foram derrubadas pela força da água.
Na década de 80 se iniciou a construção do que hoje é o Centro Comunitário, que primeiro era para ser uma igreja. Toda a comunidade ajudava na parte dos recursos ou com mão de obra, mas em setembro de 1985, período que aconteceu o Seminário aqui na Prainha do Canto Verde, aonde vieram várias comunidades e também alguns visitantes de organizações não governamentais. Como já havia sido construído o alicerce do Centro Comunitário, surgiu a discussão se havia mesmo condições de se construir uma igreja. No final ficou decidido de se construir um Centro Comunitário com o apoio do CERIS entidade do Rio de Janeiro. O Centro Comunitário na comunidade tem uma finalidade importante. É um local aberto para toda a comunidade, onde são realizados eventos de todo tipo como: Assembléias gerais, reuniões de diferentes grupos da comunidade Seminários, Celebrações e Missas, eventos da escola e hoje a Cooperativa de Turismo aproveita para turismo de eventos contribuindo para a manutenção e aluga quartos para turistas na Pousada comunitária.